segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Barco à deriva no sopro da Crise


Crise. O assunto do momento. A palavra mágica, muitas vezes maldita. Muito se comenta sobre crises e mais crises, mas poucos conseguem solucioná-las, e menos ainda são capazes de entendê-las.

Crise de relacionamento. Crise comportamental. Crise de saúde. Crise existencial. Crise de identidade. Crise religiosa. Crise espiritual. Crise sexual. Crise policial. Crise profissional. Crise política. Crise diplomática. Crise social. Crise financeira. Crise econômica. Crise Mundial.

A palavra CRISE tem origem no latim, e equivale a VENTO. Talvez hoje em dia o significado FURACÃO seja mais plausível. Mas a verdade é que o significado por trás dessa palavra indica um estado de alternância, mudança, transformação, impulsionado por uma perturbação, que uma vez transcorrida, faz com que o novo estado diferencie-se do anterior.

Uma Crise é como um sopro de vento num barco à deriva. Um sopro que tem duração, forma e intensidade misteriosamente definidos. Não se sabe ao certo por quanto tempo irá durar, nem seu comportamento, muito menos sua força. Por mais previsões que se façam, ou que se tente fazer, é bastante difícil mensurar a real dimensão de uma crise, seja ela qual for.

Dessa forma, durante uma Crise, o barco pode ser levado para águas torrenciais, redemoinhos e desfiladeiros rochosos, e acabar perdido ou naufragando na imensidão do oceano. Mas, o vento pode acabar levando a lugares surpreendentes e maravilhosos, como ilhas paradisíacas de águas calmas e cristalinas. O segredo está na vela que conduz o barco, na forma com que ela se adapta aos desafios impostos pelo misterioso vento.

Uma crise sempre possui um fator ativador, algo que desencadea o processo. E o seu desenrolar, ou seja, a sua evolução, pode ser positivo ou negativo. Este resultado depende totalmente da capacidade de reação e adaptação do ser humano. Toda crise é, nada mais, nada menos que um teste, um desafio, um momento de oportunidade rara para as pessoas redescobrirem suas capacidades.

Finalizo esse post com um trecho do livro do genial Albert Einstein, que escreveu sobre a crise econômica no contexto da grande depressão de 1929.


“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito.

É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la”

Albert Einstein.